4.5.17

a voz do rio

Lembro-me de chegar ali numa manhã de sol bem quente. Num autocarro que percorria alegremente as estradas entre aldeias coloridas ao som de cumbias festivas e de amenas conversas com os conductores enquanto tomávamos mate com sumo fresco.
De toda a noite de viagem só me lembro de abrir os olhos lentamente e, como num sonho enevoado, ver a lua linda, amarelada, quase quase cheia, iluminando as planícies escuras. E o autocarro seguia-lhe a luz por aquelas estradas intermináveis em linha recta.
Essa lua levou-me às montanhas. Depois de tanta planície elas apareceram, e o verde, e a água. A água que corria por entre aqueles penhascos. E toda aquela limpeza e frescura sabia tão bem depois da sujidade e do peso da grande cidade. E foram dias assim simples; de caminhadas até aos rios, de boa companhia, de risos e longas conversas em noites cálidas. De deixar aquela água correr fresca pelos pés, por todo o corpo, pela alma. De fechar os olhos e escutar a sua voz. E como me limpava aquela melodia.










fotos de meiomaio


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Capilla del Monte, Argentina

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