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9.1.18

Valparaíso

Talvez um dos nomes mais bonitos de cidade que alguma vez ouvi. Só por isso tinha de valer a pena. E por estar ao lado do mar.
Por isso fui sem duvidar. Iam ser três semanas (o único tempo definido daquela viagem). E foram dias de muita cor. De muita introspecção sob o canto das gaivotas. E de tantas mensagens escritas pelas paredes. (que me iam dizendo tanto)
















fotos de meiomaio


Valparaíso, Chile

22.6.17

La Pampa

Dois dias de estrada. Mil seiscentos e cinquenta quilómetros de caminho. À boleia.
Duas pick-up, dois carros, vários camiões. Quase todos os quilómetros no lento baloiçar dos camiões. A ver como toda a paisagem passava com calma, pouco a pouco, lá de cima. Há que saber esperar, e viver esse caminho. O destino: Bariloche, Patagónia (e o teu olhar).
Ainda na despedida de Capilla del Monte foi viajar com os cabelos ao vento e a pele ao sol quente. O ar seco. Outros viajantes que se juntavam a nós na parte de trás das pick-ups e um que me falava de aura e de energia “Tienes una bonita aura naranja.”, “camina descalza sobre el césped y agarralo bien”  enquanto me fazia uma massagem nos pés empoeirados pela mesma terra que por aqueles lados cobre todas as estradas.
Depois, o primeiro camião. Muitas horas, muitos quilómetros. E ver o anoitecer sobre aquelas planícies infinitas.
Lembro-me de, já em plena noite, enquanto dormitava na parte de trás dos assentos, abrir os olhos e ver no meio da escuridão, iluminada pelos faróis, uma placa: “Província de La Pampa. Patagónia, Argentina”. E dali de trás, de onde ninguém me via, sorri em silêncio, por dentro e por fora. E uma emoção e adrenalina percorreram todo o meu corpo.
Patagónia. Porque é que aquela palavra tinha aquele poder sobre mim? Pelo mito que se foi tornando na minha mente. Era o destino. A terra distante, lá no fundo, lá na ponta. Do outro lado do (meu) mundo. Sim, não era a palavra, era o que eu criei em volta dela que me aquecia o peito daquela maneira. Nós criamos as emoções, fabricamo-las e vivemo-las. Mas por isso não deixa de ser real. Haverá algo mais real que os sonhos e as ilusões? E voltei a fechar os olhos.







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Já por volta das duas da manhã o camião deixou-nos num cruzamento entre duas rectas infinitas. Na manhã seguinte a direcção deixava de ser Sul e passava a ser Oeste. Foi montar a tenda e dormir o possível até voltar a acordar com o som dos camiões e voltar à estrada com o Pablo, um rapaz que conheci em Capilla e que vinha na mesma direcção que eu.
La Pampa era um imenso deserto de planícies sem fim, de um calor cada vez mais seco e terras cada vez mais despovoadas. E estar no meio daquelas estradas sem fim à espera que passe alguém que nos leve. Mas os camionistas sempre nos salvavam. Tanta imensidão sem nada a toda à volta. Tudo tão desolador, vazio, inóspito e inspirador ao mesmo tempo. Que diferentes as dimensões de tudo ali. E tudo era igual, e aquelas rectas, eternas. E assim se passaram horas e horas. Toda uma manhã, toda uma tarde. E como que hipnotizada pela monotonia daquela caminho, pouco a pouco deixávamos La Pampa e entrávamos na Província de Río Negro.
Já com os últimos resquícios de luz de dia conseguimos o nosso último camião que nos levaria nos quatrocentos quilómetros que ainda faltavam para o destino. E naquele momento já nem conseguia pensar em nada. Nem saber bem onde estava. Apenas me deixava levar por aquele lento embalar pelas estradas escuras em direcção aos Andes.







fotos de meiomaio


entre Capilla del Monte e Bariloche, Argentina

7.4.17

en blanco y negro







fotos de meiomaio




Montserrat, Buenos Aires, Argentina

26.3.17

un tango. o la ilusión de algo que se sabe que nunca llegará.

Esta ciudad es furia, fuerza, pasión. Pero a la vez melancolia, dolor, anhelo, una ilusión de algo que se sabe que nunca llegará.
Es una flor de un rojo fuerte, oscuro, con pétalos de terciopelo y un poco envejecida. Tiene este encanto de las cosas de otros tiempos que aún se intentan mantener. Con su olor a moho, con sus telarañas, con sus arrugas, con los colores quemados del sol y un polvo de decadencia que lo cubre todo. Y que la vuelve mágica y única.
Y todos aquellos objectos antíguos en tonos de marrón y gris (serán estos los colores del paso del tiempo?) en el mercado de San Telmo (y la diva olvidada, allí estaba de nuevo, joven, con un vestido rosa pureza, enmarcada por un recuadro dorado que no perdonaba la vejez del ahora). Las farolas colgando de finos cables por encima de las calles. Los libros con olor a papel vivido, amarillento; tan presentes en todos lados.

















fotos de meiomaio


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Y el tango. Allí lo vi por primera vez. No lo busqué, vino hasta mi. En aquella plaza, de repente la musica empezó a sonar.
Y me quedé. Toda una tarde. Toda una noche. Y cada vez que la música volvia todo se llenaba de un aura de poesía, amor, drama, fuerza. Y era imposible no enamorarse.
Era la mezcla perfecta entre el placer del enamoramiento, del deseo y el placer del dolor. Y eso es la pasión, en toda su potencia. Es esa mezcla que arrebata en el fondo del pecho y remueve todo lo sentimental que tenemos.
Y así me quedé. Mirándolos. Y sintiendo la pasión en todo mi cuerpo. Y el corazón caliente. En una noche de verano en el centro de Buenos Aires.



San Telmo, Buenos Aires, Argentina

5.3.17

uma dessas cidades-paixão

Lembro-me da minha primeira noite em Buenos Aires, do calor húmido que se pegava ao corpo, e de (ao contrário de todas as outras noites desta viagem) não ter sono. A mente não parava, numa mistura de euforia e prazer que não deixava dormir. Como quando dormimos com alguém que estamos apaixonados.

O primeiro dia deu-me estas cores:












fotos de meiomaio


“As paixões não se explicam. Sentem-se. E quando vêm é tão evidente. Chegam e arrebatam o peito. Assim, sem pedir permissão, sem lógica, sem razão, sem tempo. Quando damos por ela já está impregnada em todo o nosso ser.
Acabo de chegar aqui, mas a intuição já me grita no peito que é uma dessas (poucas) cidades-paixão. Pode ser? Apenas com o primeiro vislumbrar dos seus perfis e sentir a noite quente e húmida das suas ruas?
A razão diria que é cedo, que nada vi, que nada conheço dela ainda, que falta tempo, viver, sentir. A intuição é sábia e não tem tempo porque vem de um conhecimento que o transcende. Vem de algo tão maior (ou tão de dentro).
E essa já sabe. Sabe-o desde o primeiro instante. Desde a primeira vez que vislumbrei esta cidade e desde a primeira vez que fizemos amor.
Porque já lá estava.
E é só a prova que o caminho é o correcto.

Gracias por enamorarme.



Palermo, Buenos Aires, Argentina