19.8.16

dos perfeitos acasos

Há sitios que quase irritam de tão perfeitos que são. Sim, é aquela água naquele perfeito azul turquesa clichê (e tão transparente). A vegetação, densa, impecável, até ao mar. O céu perfeitamente limpo. As ruelas da aldeia cheias de detalhes típicos do mediterrâneo. O ar agradavelmente morno, de dia e de noite. E a forma como tudo aquilo se conjuga numa perfeição que só pode ser planeada.








fotos de meiomaio


É que há acasos que funcionam tão bem que parecem irreais. E a perfeição do acaso é sempre a mais bonita. E a que tem mais sabor.

E isto foi a Grécia a dar-me a melhor despedida, já nos últimos dias (já pouco faltava para apanhar o barco para Itália), para me relembrar da maravilha que foi passar ali um mês e meio, em pleno Verão, perdida naquelas paisagens.

praia Agios Giannakis e Parga, Grécia

3.8.16

dos dias quentes em Split









fotos de meiomaio


À primeira vista não parecia nada apelativa. Mesmo assim, valeu a pena passar pelo monte de betão descaracterizado que rodeava o coração da cidade. E era como encontrar um tesouro. Um sem fim de pequenas ruelas labirínticas que o tempo foi moldando, cheias de maravilhosos detalhes, texturas, jogos de luz e sombra.
E assim se passou ali uma semana. Entre o reboliço dos turistas. O ar denso, húmido, por vezes quase irrespirável. O Adriático com as suas águas mornas sempre ali ao lado (e a única salvação naquelas tardes de quarenta graus). Gelados que escorrem pelas mãos. Fruta comprada nos mercados e devorada em qualquer cantinho de sombra que se encontrasse. Bureks gordurosos que besuntavam as mãos e enchiam a barriga. Música tocada com os amigos que já tínhamos feito em Zadar (tão bonita, aquela pequena familia de viajantes) e outros que fizemos ali; para nós, e nas ruas, para quem passava. E noites de risos e cerveja gelada, sentados no chão de Matejuška, um pequeno porto de barcos de pescadores onde toda a gente se encontrava.

Split, Croácia

22.7.16

konoba

Não gosto de grandes luxos. E as minhas viagens são sempre bem modestas. Mas gosto de comida. De boa comida. Não daquela bonita, não da que está na moda. Gosto de comida à antiga, feita para alimentar, não para ficar bem no feed do instagram. Quando viajo, gosto de encontrar os sitios onde se come este tipo de comida, autêntica, simples, sem grandes pretensões. Nem sempre é fácil. Mas quando se encontram vale tanto a pena. Como este pequeno restaurante perdido numa pequena aldeia da ilha de Krk.

O calor naquela tarde era sufocante. As mesas de madeira, toscas, cá fora, à sombra de uma árvore, convidavam a parar um pouco. Estava meio vazio e quase parecia um local adormecido não fossem os risos fortes e graves de um grupo de homens que ali comia. De um rádio antigo soava baixinho, ao fundo, musica pop e romântica em croata. Apenas três ou quatro pratos, ditos pela rapariga que nos tentou explicar no pouco inglês que tinha (gosto de sitios com pouco inglês, ou até nenhum, é sempre bom sinal). Lá dentro uma senhora de mais idade preparava tudo lentamente num espaço encantador, cheio de relíquias que o tempo foi depositando ali. A comida obviamente, não decepcionou. Comida lenta, comida de verdade. Aqui seria um tasco, na Croácia chama-se konoba.








fotos de meiomaio


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Poljica, Krk, Croácia

18.7.16

o bosque e o mar

Ali, separados por uma linha fina, tão fina.








fotos de meiomaio


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ilha de Krk, Croácia

12.7.16

in Puglia









fotos de meiomaio


Ainda pelo Sul. Desta vez o de Itália.
As vilas com as suas ruelas labirínticas e um pouco caóticas, com todos aqueles terraços, escadas, varandas, construidos uns em cima dos outro. Os trulli que parecem saídos de um conto de fantasia e as estradas vazias, em linha recta, ao lado do mar, numa imensa planicie a perder de vista. Ali, mesmo na pontinha, no “tacão” da bota.

Matera, Gravina in Puglia, Alberobello e as estradas perto de Lecce. Puglia, Itália

6.7.16

das casas que adotamos

Zadar. Aquela cidade rodeada de mar.
Talvez o sítio de toda a viagem onde me senti mais em casa. Talvez pelas ruelas de pedra gasta, pelo ar descontraído de quem andava por ali, pelos gatos que espreitavam nos cantos mais solitários, pelos encontros musicais e a pequena familia que criámos ali, pelos gelados comidos como crianças, pelas tardes passadas a tocar à sombra das árvores entre banhos no mar (sim, ali mesmo no meio da cidade, era só mergulhar), ou pelos inesquecíveis finais de tarde em que o tempo parava com o embalo das ondas, o descer do sol, tudo ao som do órgão do mar (sem dúvida uma das coisas mais incríveis daquela cidade).














fotos de meiomaio


Agarramo-nos demasiado aos sítios, ou à ideia de “eu sou daqui”. Devemos amá-los, vivê-los com paixão enquanto lá estamos, mas não deixam de ser só um lugar que adoptámos, e a sensação de casa, de “este é o meu sitio”, é algo que se pode sentir onde menos esperamos e com uma rapidez tão inesperada que quase parece irreal.
Da necessidade de sentir uma casa adotamos sitios, pessoas, hábitos, rotinas; e de repente estamos totalmente submersos noutra vida, como quem entra dentro de uma personagem de uma história qualquer. Talvez essa seja a diferença entre viajar e ir de férias. Quando não há um destino concreto, nem uma data para voltar, a forma como vivemos os sítios muda completamente e realmente vivemos ali. Pode até ser por poucos dias, mas naquele tempo aquela é a nossa casa. Afinal, não há outra.

Zadar, Croácia