24.4.17

hasta pronto Buenos Aires

No dia anterior à partida senti a cidade em todo o corpo. E principalmente nos pés. Com o passar das horas cada vez sentia mais neles as distâncias. O tamanho brutal da cidade. E ao final do dia, ao chegar a casa, nova tempestade. Uma chuva forte inundou as ruas os meus pés cansados caminharam pela água que corria pelas estradas, pelos passeios. E toda aquela cidade me inundou no dia em que me despedia dela.

E sim, aquela é uma diva apaixonante, que mostra todos os seus encantos até estares totalmente rendido. Mas não se apaixona por ti. Como diva que é foi feita para ser admirada, idolatrada, para receber amor, não para dar. Anda demasiado ocupada a espalhar o seu charme por todos os seus pretendentes. E porque são demasiados os que a querem tudo se torna tão impessoal.
Talvez seja dessas cidades que sempre a vejas assim, da plateia, e ela lá do alto actua para ti (ainda que seja num velho teatro em decadência). Mas nunca dançarás o tango com ela. Sabes que não poderias, e resignas-te à tua posição de admirador.
E não importa se te vais. És só mais um, no meio de tantos milhões. E ela continuará, divina e segura de si, lá do alto do seu pedestal.
Naquele dia deixava-te, sem saber se voltaria a sentir esse teu charme e encanto. Mas sempre te recordarei com a paixão que me despertaste desde o momento em que te vi surgir das águas do Río de la Plata.






fotos de meiomaio


.
Retiro, Buenos Aires, Argentina

7.4.17

en blanco y negro







fotos de meiomaio




Montserrat, Buenos Aires, Argentina

3.4.17

en color








fotos de meiomaio


hoje deixemos falar as paredes.

La Boca, Buenos Aires, Argentina

26.3.17

un tango. o la ilusión de algo que se sabe que nunca llegará.

Esta ciudad es furia, fuerza, pasión. Pero a la vez melancolia, dolor, anhelo, una ilusión de algo que se sabe que nunca llegará.
Es una flor de un rojo fuerte, oscuro, con pétalos de terciopelo y un poco envejecida. Tiene este encanto de las cosas de otros tiempos que aún se intentan mantener. Con su olor a moho, con sus telarañas, con sus arrugas, con los colores quemados del sol y un polvo de decadencia que lo cubre todo. Y que la vuelve mágica y única.
Y todos aquellos objectos antíguos en tonos de marrón y gris (serán estos los colores del paso del tiempo?) en el mercado de San Telmo (y la diva olvidada, allí estaba de nuevo, joven, con un vestido rosa pureza, enmarcada por un recuadro dorado que no perdonaba la vejez del ahora). Las farolas colgando de finos cables por encima de las calles. Los libros con olor a papel vivido, amarillento; tan presentes en todos lados.

















fotos de meiomaio


.

Y el tango. Allí lo vi por primera vez. No lo busqué, vino hasta mi. En aquella plaza, de repente la musica empezó a sonar.
Y me quedé. Toda una tarde. Toda una noche. Y cada vez que la música volvia todo se llenaba de un aura de poesía, amor, drama, fuerza. Y era imposible no enamorarse.
Era la mezcla perfecta entre el placer del enamoramiento, del deseo y el placer del dolor. Y eso es la pasión, en toda su potencia. Es esa mezcla que arrebata en el fondo del pecho y remueve todo lo sentimental que tenemos.
Y así me quedé. Mirándolos. Y sintiendo la pasión en todo mi cuerpo. Y el corazón caliente. En una noche de verano en el centro de Buenos Aires.



San Telmo, Buenos Aires, Argentina

5.3.17

uma dessas cidades-paixão

Lembro-me da minha primeira noite em Buenos Aires, do calor húmido que se pegava ao corpo, e de (ao contrário de todas as outras noites desta viagem) não ter sono. A mente não parava, numa mistura de euforia e prazer que não deixava dormir. Como quando dormimos com alguém que estamos apaixonados.

O primeiro dia deu-me estas cores:












fotos de meiomaio


“As paixões não se explicam. Sentem-se. E quando vêm é tão evidente. Chegam e arrebatam o peito. Assim, sem pedir permissão, sem lógica, sem razão, sem tempo. Quando damos por ela já está impregnada em todo o nosso ser.
Acabo de chegar aqui, mas a intuição já me grita no peito que é uma dessas (poucas) cidades-paixão. Pode ser? Apenas com o primeiro vislumbrar dos seus perfis e sentir a noite quente e húmida das suas ruas?
A razão diria que é cedo, que nada vi, que nada conheço dela ainda, que falta tempo, viver, sentir. A intuição é sábia e não tem tempo porque vem de um conhecimento que o transcende. Vem de algo tão maior (ou tão de dentro).
E essa já sabe. Sabe-o desde o primeiro instante. Desde a primeira vez que vislumbrei esta cidade e desde a primeira vez que fizemos amor.
Porque já lá estava.
E é só a prova que o caminho é o correcto.

Gracias por enamorarme.



Palermo, Buenos Aires, Argentina

22.2.17

como uma grande diva



.

Buenos Aires apareceu assim, como o mito que é. Lentamente foi surgindo entre os tons de azul do céu e do mar. Sob um sol forte de Verão e sobre todos os brilhos que se reflectiam no Rio de la Plata. Pouco a pouco os recortes da cidade iam aparecendo, rasgando o horizonte, como uma grande diva que surge num palco de um coliseu. E já dali podia sentir a sua imponência, a força da sua presença. Que segredos me contarias?



fotos de meiomaio


.
E depois aquela senhora de olhos azul-céu, cabelos louros escorridos e um pouco desgrenhados, lábios pintados de vermelho forte, pose amedrontada e um vestido de flores, cantava baixinho uma melodia de outros tempos, que não sei porquê me levava a Paris. E para uma época de glamour. E de repente a decadência poética empoeirada e com cheiro a mofo. E fumo de cigarros fumados entre conversas lentas e pouca luz. Ali, no primeiro autocarro que apanhei, acabada de chegar a Buenos Aires, enquanto vislumbrava as primeiras avenidas pintadas com a luz de final de tarde. Era aquela a diva esquecida?

Buenos Aires, Argentina