16.1.18

en un cálido atardecer

Me acuerdo de despedirme de ti en un cálido atardecer.

Ciudad de las calles viejas y coloridas que suben y bajan como un laberinto de colores y poesía, de los perros abandonados que duermen cerca de la gente buscando un poco de cariño, del puerto industrial de donde salen ruídos metálicos y que sólo se ve (y se escucha) desde los miradores. Del caos de las calles de abajo con toda la gente vendiendo todo el tipo de cositas más o menos inútiles en un trapo en el suelo. De la comida humilde, de verdad (casi siempre con palta). De los rincones de las calles, negros de la suciedad de todo lo que pasa en ellas. Del mar siempre al fondo. De los gatos. Del canto ansioso de la gaviotas.


Bohemia, decadente, marítima y envejecida.
Y encantadora.   .











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Valparaíso, Chile

9.1.18

Valparaíso

Talvez um dos nomes mais bonitos de cidade que alguma vez ouvi. Só por isso tinha de valer a pena. E por estar ao lado do mar.
Por isso fui sem duvidar. Iam ser três semanas (o único tempo definido daquela viagem). E foram dias de muita cor. De muita introspecção sob o canto das gaivotas. E de tantas mensagens escritas pelas paredes. (que me iam dizendo tanto)
















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Valparaíso, Chile

5.12.17

daqueles inesquecíveis finais de tarde

Nunca tinha estado tanto tempo longe do mar como daquela vez.


"Há quase três meses que não vejo o mar. Há quase três meses que vivo rodeada de montanhas e lagos, num ambiente que nunca definiria como meu.
E muitas vezes começa a pesar. A falta do horizonte (que seja só uma linha, entre azul e azul). A falta da força, das águas que que têm vida. A falta do ar húmido que me beija a cara com aroma a sal. O frio que pouco a pouco vai chegando. A neve que começa a ameaçar.
É que, por muito bonito que seja, não sou nem nunca serei uma pessoa de montanhas. Gosto delas, para passar uma semana e ir embora. Depois sufoca-me.
E estou aqui há quase dois meses. E há dias que só quero fugir até onde volte a sentir o sabor das ondas no ar. Este ambiente não é para mim.

Mas depois vêm os finais de tarde. E o admirar de todos os tons que estas montanhas podem ter, como mudam magicamente de cor, e como tudo se reflete nas águas do lago.
E faço as pazes contigo.
Estas cores de fim de tarde acalmam toda a minha estranheza por estes ambientes e relembram-me que, apesar de tudo, esta é a paisagem de montanhas mais bonita que já vi na vida.
Sim, esta mesmo, aquela que vejo da janela todos os dias e a mesma que há quase dois meses me gritou, em tons de azul, “Estás na Patagónia”."





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lago Nahuel Huapi, Bariloche, Patagónia, Argentina

22.11.17

um silêncio que só existe no amanhecer

Foi a noite mais fria de toda a viagem (e talvez de toda a minha vida).
A tenda, o saco-cama de verão e toda a roupa que pude vestir de pouco serviram naquela noite de dois graus em pleno verão da Patagónia. As horas custavam a passar com o corpo cada vez mais rígido tentando de alguma forma produzir calor. Só queria que amanhecesse para procurar desesperadamente os primeiros raios de sol.
Saí da tenda mal senti alguma luz lá fora. O ar estava gélido, limpo, puro. Tudo era tão puro naquele momento. E o silêncio. Um silêncio que só existe no amanhecer.



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De repente toda aquela noite tinha valido a pena.
E o dia foi passado a admirar as cores com que se ia pintando o céu.






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Lago Traful, Patagónia, Argentina

26.9.17

celebrar a vida








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"Tudo está em harmonia quando está no caminho certo. Assim simplesmente, tudo se torna num perfeito equilíbrio, naturalmente, sem forçar.
Como em perfeição se conjugam este lago, estas árvores imponentes, este terra cheia de morte que se transforma em vida, estas montanhas onde tudo se assenta, a água que escorre por entre as pedras, o vento que passa por entre as folhas de tantas árvores, as nuvens que começam a chegar depois de tantos dias de céu perfeitamente azul. E todas as estrelas à noite. E a escuridão por entre as árvores que me ensina que afinal o céu à noite não é negro, é luz. São nuvens de pontos de luz.
O ter tempo que parece infinito. Sentir o passar de cada segundo e quase alcançar a ilusão do presente. E poder parar, sentir, respirar. Simplesmente ser. E o silêncio. Oh, a doce melodia do silêncio que nos faz escutar o trabalhar do nosso corpo e sentir que estamos vivos. Sim, só no silêncio podemos sentir a vida a pulsar em toda a nossa carne. E sentir a matéria de que somos feitos. O mesmo pulsar de toda a natureza que me rodeia. Tudo palpita, voa, escorre, estala, range, nasce e morre. E entre uma e outra celebra deliciosamente a vida. E ai, quero poder bailar a vida agora, como essas centenas de mosquitos que bailam ao final do dia sobre a luz mágica das águas azuis e prateadas."

Laguna Llum, Patagónia, Argentina

20.9.17

de um azul impossível

Depois fomos até à floresta. Ao lago, às montanhas mais de perto (enormes, cada vez mais poderosas). Às águas frias e transparentes, ao bosque das árvores mais altas que alguma vez tinha visto, ao ar frio e límpido, à terra pura. Deitamo-nos naquele bosque, inundamo-nos dele e só aí, pouco a pouco, as palavras começaram a sair.
A energia daquela terra consome-me e alimenta-me ao mesmo tempo, como a paixão que tenho por ti. E que carga de melancolia em tudo aquilo (daquela deliciosa, em tons de azul). E tanta introspecção.






fotos de meiomaio


De repente, já estava submergida naquilo tudo. Em todo aquele verde, debaixo de um céu tão limpo e sob as águas mais puras e cristalinas que alguma vez senti, de um azul impossível. E deixo-me sentir o seu leve balançar, ali no meio daquele imenso lago, rodeada pelas grandiosas montanhas. E todo aquele silêncio que inunda a alma. Era a leveza, a liberdade, a plenitude.

Parque Nacional Nahuel Huapi, Patagónia, Argentina