20.9.16

fronteira






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Normalmente as fronteiras entre países não passam de um mero simbolismo territorial. Uma placa, umas letras, um nome. De mudança, pouco mais. Mas aquela foi real.

À medida que avançávamos tudo mudava. As montanhas. O céu cinzento, fechado, com ares de tempestade, que prometia chuva (e como a desejávamos depois de tanto tempo sem ver uma gota). Os contornos das torres das mesquitas que rasgavam o horizonte. De repente tudo começava a pesar.
Uma maravilhosa decadência instalava-se em todos os recantos. A ferrugem. O abandono. A pureza daqueles bosques. Os corvos. Morte e nascimento. Os contrastes, tão presentes.

A densidade.






E sentir que o melhor de viajar é isso mesmo. A deliciosa maravilha do inesperado (ou aqueles ambientes que realmente mexem connosco).



entre Split e Mostar. Croácia e Bósnia e Herzegovina

31.8.16

da leveza

Foi um mês de sal no corpo. Ao ponto que se foi tornando parte de mim. Acho que lentamente foi entrando pelos poros e começando a pesar, por todo o corpo. Por dentro e por fora. É que mesmo o que mais gostamos, o que mais faz parte de nós também pesa. E este tornou-se tão visível, tão real, no momento em que me submergi naquela leve água doce. (tantas vezes só nos apercebemos do peso que carregamos quando ele nos sai de cima)









fotos de meiomaio


Ali não havia nada mais. Era aquele enorme lago, sempre tão quieto. Ao fundo as montanhas. Nenhuma casa. O céu; o de cima, e o que se pintava nas águas. Todos aqueles reflexos. E os pássaros que os sobrevoavam silenciosamente. 

Ali era só isto. E era tanto.

Vransko jezero, Croácia

19.8.16

dos perfeitos acasos

Há sitios que quase irritam de tão perfeitos que são. Sim, é aquela água naquele perfeito azul turquesa clichê (e tão transparente). A vegetação, densa, impecável, até ao mar. O céu perfeitamente limpo. As ruelas da aldeia cheias de detalhes típicos do mediterrâneo. O ar agradavelmente morno, de dia e de noite. E a forma como tudo aquilo se conjuga numa perfeição que só pode ser planeada.








fotos de meiomaio


É que há acasos que funcionam tão bem que parecem irreais. E a perfeição do acaso é sempre a mais bonita. E a que tem mais sabor.

E isto foi a Grécia a dar-me a melhor despedida, já nos últimos dias (já pouco faltava para apanhar o barco para Itália), para me relembrar da maravilha que foi passar ali um mês e meio, em pleno Verão, perdida naquelas paisagens.

praia Agios Giannakis e Parga, Grécia

3.8.16

dos dias quentes em Split









fotos de meiomaio


À primeira vista não parecia nada apelativa. Mesmo assim, valeu a pena passar pelo monte de betão descaracterizado que rodeava o coração da cidade. E era como encontrar um tesouro. Um sem fim de pequenas ruelas labirínticas que o tempo foi moldando, cheias de maravilhosos detalhes, texturas, jogos de luz e sombra.
E assim se passou ali uma semana. Entre o reboliço dos turistas. O ar denso, húmido, por vezes quase irrespirável. O Adriático com as suas águas mornas sempre ali ao lado (e a única salvação naquelas tardes de quarenta graus). Gelados que escorrem pelas mãos. Fruta comprada nos mercados e devorada em qualquer cantinho de sombra que se encontrasse. Bureks gordurosos que besuntavam as mãos e enchiam a barriga. Música tocada com os amigos que já tínhamos feito em Zadar (tão bonita, aquela pequena familia de viajantes) e outros que fizemos ali; para nós, e nas ruas, para quem passava. E noites de risos e cerveja gelada, sentados no chão de Matejuška, um pequeno porto de barcos de pescadores onde toda a gente se encontrava.

Split, Croácia

22.7.16

konoba

Não gosto de grandes luxos. E as minhas viagens são sempre bem modestas. Mas gosto de comida. De boa comida. Não daquela bonita, não da que está na moda. Gosto de comida à antiga, feita para alimentar, não para ficar bem no feed do instagram. Quando viajo, gosto de encontrar os sitios onde se come este tipo de comida, autêntica, simples, sem grandes pretensões. Nem sempre é fácil. Mas quando se encontram vale tanto a pena. Como este pequeno restaurante perdido numa pequena aldeia da ilha de Krk.

O calor naquela tarde era sufocante. As mesas de madeira, toscas, cá fora, à sombra de uma árvore, convidavam a parar um pouco. Estava meio vazio e quase parecia um local adormecido não fossem os risos fortes e graves de um grupo de homens que ali comia. De um rádio antigo soava baixinho, ao fundo, musica pop e romântica em croata. Apenas três ou quatro pratos, ditos pela rapariga que nos tentou explicar no pouco inglês que tinha (gosto de sitios com pouco inglês, ou até nenhum, é sempre bom sinal). Lá dentro uma senhora de mais idade preparava tudo lentamente num espaço encantador, cheio de relíquias que o tempo foi depositando ali. A comida obviamente, não decepcionou. Comida lenta, comida de verdade. Aqui seria um tasco, na Croácia chama-se konoba.








fotos de meiomaio


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Poljica, Krk, Croácia

18.7.16

o bosque e o mar

Ali, separados por uma linha fina, tão fina.








fotos de meiomaio


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ilha de Krk, Croácia

12.7.16

in Puglia









fotos de meiomaio


Ainda pelo Sul. Desta vez o de Itália.
As vilas com as suas ruelas labirínticas e um pouco caóticas, com todos aqueles terraços, escadas, varandas, construidos uns em cima dos outro. Os trulli que parecem saídos de um conto de fantasia e as estradas vazias, em linha recta, ao lado do mar, numa imensa planicie a perder de vista. Ali, mesmo na pontinha, no “tacão” da bota.

Matera, Gravina in Puglia, Alberobello e as estradas perto de Lecce. Puglia, Itália